
A Moça que Mostrava a Coxa A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo - concha, berilo, esmeralda - que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me mostrava. E torturando-me, e virgem no desvairado recato que sucedia de chofre á visão dos seios claros, qua pulcra rosa preta como que se enovelava, crespa, intata, inacessível, abre-que-fecha-que-foge, e a fêmea, rindo, negava o que eu tanto lhe pedia, o que devia ser dado e mais que dado, comido. Ai, que a moça me matava tornando-me assim a vida esperança consumida no que, sombrio, faiscava. Roçava-lhe a perna. Os dedos descobriam-lhe segredos lentos, curvos, animais, porém o maximo arcano, o todo esquivo, noturno, a tríplice chave de urna, essa a louca sonegava, não me daria nem nada. Antes nunca me acenasse. Viver não tinha propósito, andar perdera o sentido, o tempo não desatava nem vinha a morte render-me ao luzir da estrela-d'alva, que nessa hora já primeira, violento, subia o enjoo de fera presa no Zôo. Como lhe sabia a pele, em seu côncavo e convexo, em seu poro, em seu dourado pêlo de ventre! mas sexo era segredo de Estado. Como a carne lhe sabia a campo frio, orvalhado, onde uma cobra desperta vai traçando seu desenho num frêmito, lado a lado! Mas que perfume teria a gruta invisa? que visgo, que estreitura, que doçume, que linha prístina, pura, me chamava, me fugia? Tudo a bela me ofertava, e que eu beijasse ou mordesse, fizesse sangue: fazia. Mas seu púbis recusava. Na noite acesa, no dia, sua coxa se cerrava. Na praia, na ventania, quando mais eu insistia, sua coxa se apertava. Na mais erma hospedaria fechada por dentro a aldrava, sua coxa se selava, se encerrava, se salvava, e quem disse que eu podia fazer dela minha escrava? De tanto esperar, porfia sem vislumbre de vitória, já seu corpo se delia, já se empana sua glória, já sou diverso daquele que por dentro se rasgava, e não sei agora ao certo se minha sede mais brava era nela que pousava. Outras fontes, outras fomes, outros flancos: vasto mundo, e o esquecimento no fundo. Talvez que a moça hoje em dia... Talvez. O certo é que nunca. E se tanto se furtara com tais fugas e arabescos e tão surda teimosia, por que hoje se abriria? Por que viria ofertar-me quando a noite já vai fria, sua nívea rosa preta nunca por mim visitada, inacessível naveta? Ou nem teria naveta... Carlos Drummond de Andrade ** de vc sou...meu EU...beijo... _________________________________ Minhas coisas...Meus blogs http://lalilaranjalima.zip.net/ http://coisassensuaisdelali.zip.net http://cantinhodalaranjalima.zip.net/ http://eraumavezlali.zip.net
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A fome do primeiro grito Hilda Hilst 
XII
Se te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água desejasse. Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há um tempo. Entendo que sou terra. Há tanto tempo Espero Que o teu corpo de água mais fraterno Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta Olha-me de novo. Com menos altivez. E mais atento. XLII
As barcas afundadas. Cintilantes Sob o rio. E é assim o poema. Cintilante E obscura barca ardendo sob as águas. Palavras eu as fiz nascer Dentro de tua garganta. Úmidas algumas, de transparente raiz: Um molhado de línguas e de dentes. Outras de geometria. Finas, angulosas Como são as tuas Quando falam de poetas, de poesia. As barcas afundadas. Minhas palavras. Mas poderão arder luas de eternidade. E doutas, de ironia as tuas Só através de minha vida vão viver. LXII
Que as barcaças do Tempo me devolvam A primitiva urna de palavras. Que me devolvam a ti e o teu rosto Como desde sempre o conheci: pungente Mas cintilando de vida, renovado Como se o sol e o rosto caminhassem Porque vinha de um a luz do outro. Que me devolvam a noite, o espaço De me sentir tão vasta e pertencida Como se as águas e madeiras de todas as barcaças Se fizessem matéria rediviva, adolescência e mito. Que eu te devolva a fome do meu primeiro grito. ** ...para vc meu Eu.com meu beijo ** Minhas coisas...Meus blogs http://lalilaranjalima.zip.net/ http://coisassensuaisdelali.zip.net http://cantinhodalaranjalima.zip.net/ http://eraumavezlali.zip.net
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Retrato Ardente Entre os teus lábios é que a loucura acode, desce à garganta, invade a água. No teu peito é que o pólen do fogo se junta à nascente, alastra na sombra. Nos teus flancos é que a fonte começa a ser rio de abelhas, rumor de tigre. Da cintura aos joelhos é que a areia queima, o sol é secreto, cego o silêncio. Deita-te comigo. Ilumina meus vidros. Entre lábios e lábios toda a música é minha. Eugénio de Andrade

Nas ervas Escalar-te lábio a lábio, percorrer-te: eis a cintura o lume breve entre as nádegas e o ventre, o peito, o dorso descer aos flancos, enterrar os olhos na pedra fresca dos teus olhos, entregar-me poro a poro ao furor da tua boca, esquecer a mão errante na festa ou na fresta aberta à doce penetração das águas duras, respirar como quem tropeça no escuro, gritar às portas da alegria, da solidão. porque é terrível subir assim às hastes da loucura, do fogo descer à neve. abandonar-me agora nas ervas ao orvalho – a glande leve. Eugénio de Andrade

Elegia: Indo para o leito Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz; Até que eu lute, em luta o corpo jaz. Como o inimigo diante do inimigo, Canso-me de esperar se nunca brigo. Solta esse cinto sideral que vela, Céu cintilante, uma área ainda mais bela. Desata esse corpete constelado, Feito para deter o olhar ousado. Entrega-te ao torpor que se derrama De ti a mim, dizendo: hora da cama. Tira o espartilho, quero descoberto O que ele guarda, quieto, tão de perto. O corpo que de tuas saias sai É um campo em flor quando a sombra se esvai. Arranca essa grinalda armada e deixa Que cresça o diadema da madeixa. Tira os sapatos e entra sem receio Nesse templo de amor que é o nosso leito. Os anjos mostram-se num branco véu Aos homens. Tu, meu anjo, és como o céu De Maomé. E se no branco têm contigo Semelhança os espíritos, distingo: O que o meu anjo branco põe não é O cabelo mas sim a carne em pé. Deixa que a minha mão errante adentre Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre. Minha América! Minha terra à vista, Reino de paz, se um homem só a conquista, Minha mina preciosa, meu Império, Feliz de quem penetre o teu mistério! Liberto-me ficando teu escravo; Onde cai minha mão, meu selo gravo. Nudez total! Todo o prazer provém De um corpo (como a alma sem corpo) sem Vestes. As jóias que a mulher ostenta São como as bolas de ouro de Atalanta: O olho do tolo que uma gema inflama Ilude-se com ela e perde a dama. Como encadernação vistosa, feita Para iletrados, a mulher se enfeita; Mas ela é um livro místico e somente A alguns (a que tal graça se consente) É dado lê-la. Eu sou um que sabe; Como se diante da parteira, abre- Te: atira, sim, o linho branco fora, Nem penitência nem decência agora. Para ensinar-te eu me desnudo antes: A coberta de um homem te é bastante. John Done Tradução: Augusto de Campos *** beijos meu Eu...sempre...

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meu Eu...para nós...com beijo nosso...

È um não querer mais que bem querer
I Gosto de ti apaixonadamente, De ti que és a vitória, a salvação, De ti que me trouxeste pela mão Até ao brilho desta chama quente. A tua linda voz de água corrente Ensinou-me a cantar... e essa canção Foi ritmo nos meus versos de paixão, Foi graça no meu peito de descrente. Bordão a amparar minha cegueira, Da noite negra o mágico farol, Cravos rubros a arder numa fogueira. E eu, que era neste mundo uma vencida, Ergo a cabeça ao alto, encaro o Sol! — Águia real, apontas-me a subida! II Meu amor, meu Amado, vê... repara: Pousa os teus lindos olhos de oiro em mim, — Dos meus beijos de amor Deus fez-me avara Para nunca os contares até ao fim. Meus olhos têm tons de pedra rara — É só para teu bem que os tenho assim — E as minhas mãos são fontes de água clara A cantar sobre a sede dum jardim. Sou triste como a folha ao abandono Num parque solitário, pelo Outono, Sobre um lago onde vogam nenufares... Deus fez-me atravessar o teu caminho... — Que contas dás a Deus indo sozinho, Passando junto a mim, sem me encontrares? III Frémito do meu corpo a procurar-te, Febre das minhas mãos na tua pele Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel, Doido anseio dos meus braços a abraçar-te, Olhos buscando os teus por toda a parte, Sede de beijos, amargor de fel, Estonteante fome, áspera e cruel, Que nada existe que a mitigue e a farte! E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma Junto da minha, uma lagoa calma, A dizer-me, a cantar que me não amas... E o meu coração que tu não sentes, Vai boiando ao acaso das correntes, Esquife negro sobre um mar de chamas IV És tu! És tu! Sempre vieste, enfim! Oiço de novo o riso dos teus passos! És tu que eu vejo a estender-me os braços Que Deus criou pra me abraçar a mim! Tudo é divino e santo visto assim... Foram-se os desalentos, os cansaços... O mundo não é mundo: é um jardim! Um céu aberto: longes, os espaços! Prende-me toda, Amor, prende-me bem! Que vês tu em redor? Não há ninguém! A Terra? — Um astro morto que flutua... Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente, Tudo o que é vida e vibra eternamente É tu seres meu, Amor, e eu ser tua! V Dize-me, Amor, como te sou querida, Conta-me a glória do teu sonho eleito, Aninha-me a sorrir junto ao teu peito, Arranca-me dos pântanos da vida. Embriagada numa estranha lida, Trago nas mãos o coração desfeito. Mostra-me a luz, ensina-me o preceito Que me salve e levante redimida! Nesta negra cisterna em que me afundo, Sem quimeras, sem crenças, sem ternura, Agonia sem fé dum moribundo, Grito o teu nome, numa sede estranha, Como se fosse, Amor, toda a frescura Das cristalinas águas da montanha! VI Falo de ti às pedras das estradas, E ao sol que é loiro como o teu olhar, Falo ao rio, que desdobra a faiscar, Vestidos de Princesas e de Fadas; Falo às gaivotas de asas desdobradas, Lembrando lenços brancos a acenar, E aos mastros que apunhalam o luar Na solidão das noites consteladas; Digo os anseios, os sonhos, os desejos De onde a tua alma, tonta de vitória, Levanta ao céus a torre dos meus beijos! E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, Sobre os brocados fúlgidos da glória, São astros que me tombam do regaço! VII São mortos os que nunca acreditaram Que esta vida é somente uma passagem, Um atalho sombrio, uma paisagem Onde os nossos sentidos se pousaram. São mortos os que nunca alevantaram De entre escombros e Torre de Menagem Dos seus sonhos de orgulho e de coragem, E os que não riram e os que não choraram. Que Deus faça de mim, quando eu morrer, Quando eu partir para o País da Luz, A sombra calma de um entardecer, Tombando, em doces pregas de mortalha, Sobre o teu corpo heróico, posto em cruz, Na solidão dum campo de batalha! VIII Abrir os olhos, procurar a luz, De coração erguido no alto, em chama, Que tudo neste mundo se reduz A ver os astros cintilar na lama! Amar o sol da glória e a voz da fama Que em clamorosos gritos se traduz! Com misericórdia, amar quem nos não ama, E deixar que nos preguem numa cruz! Sobre um sonho desfeito erguer a torre Doutro sonho mais alto e, se esse morre, Mais outro e outro ainda, toda a vida! Que importa que nos vençam desenganos, Se pudermos contar os nossos anos Assim como degraus duma subida? IX Perdi os meu fantásticos castelos Como névoa distante que se esfuma... Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: Quebrei as minhas lanças uma a uma! Perdi minhas galeras entre gelos Que se afundaram sobre um mar de bruma... — Tantos escolhos! Quem podia vê-los? Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! Perdi a minha taça, o meu anel, A minha cota de aço, o meu corcel, Perdi meu elmo de oiro e pedrarias... Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... Sobre o meu coração pesam montanhas... Olho assombrada as minhas mãos vazias... X Eu queria mais altas as estrelas, Mais largo o espaço, o Sol mais criador, Mais refulgente a Lua, o mar maior, Mais cavadas as ondas e mais belas; Mais amplas, mais rasgadas as janelas Das almas, mais rosais a abrir em flor, Mais montanhas, mais asas de condor, Mais sangue sobre a cruz das caravelas! E abrir os braços e viver a vida: — Quanto mais funda e lúgubre a descida, Mais alta é a ladeira que não cansa! E, acabada a tarefa... em paz, contente, Um dia adormecer, serenamente, Como dorme no berço uma criança! Florbela Espanca *** Minhas coisas...Meus blogs http://lalilaranjalima.zip.net/ http://coisassensuaisdelali.zip.net http://cantinhodalaranjalima.zip.net/ http://eraumavezlali.zip.net
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Azul de tierra en tí Parece mar, el cielo donde me he recostado a soñarte? Si vieras mi mirada, como un ave, cazando horizontes y estrellas. El universo es mío desde que tú te hiciste techo de mariposas para mi corazón. Es tan azul el aire cuando mueves tus alas, que el vuelo nace eterno en repetida ola sin cansancio. No sé si en ola o nube abrirme la ternura para rodarme al sueño donde duermes. Es tan callado el viento, que he podido lograrte entre los ecos. Soy toda claridad para estrecharte? Te he visto con los ojos vivos como los ojos abiertos de los bosques, figurándome en risas y quebradas nadando hasta el océano. Te he recogido en huellas de canciones marinas donde una vez dejaste corazones de agua enamorados. Te he sacado del tiempo? ¡Cómo te he levantado en un lirio de luz que floreció mi mano al recordarte ! ¿Por qué me corre el mar ? Tú eres vivo universo contestándome? Julia de Burgos
Alma desnuda
Soy un alma desnuda en estos versos, Alma desnuda que angustiada y sola Va dejando sus pétalos dispersos. Alma que puede ser una amapola, Que puede ser un lirio, una violeta, Un peñasco, una selva y una ola. Alma que como el viento vaga inquieta Y ruge cuando está sobre los mares, Y duerme dulcemente en una grieta. Alma que adora sobre sus altares, Dioses que no se bajan a cegarla; Alma que no conoce valladares. Alma que fuera fácil dominarla Con sólo un corazón que se partiera Para en su sangre cálida regarla. Alma que cuando está en la primavera Dice al invierno que demora: vuelve, Caiga tu nieve sobre la pradera. Alma que cuando nieva se disuelve En tristezas, clamando por las rosas con que la primavera nos envuelve. Alma que a ratos suelta mariposas A campo abierto, sin fijar distancia, Y les dice: libad sobre las cosas. Alma que ha de morir de una fragancia De un suspiro, de un verso en que se ruega, Sin perder, a poderlo, su elegancia. Alma que nada sabe y todo niega Y negando lo bueno el bien propicia Porque es negando como más se entrega. Alma que suele haber como delicia Palpar las almas, despreciar la huella, Y sentir en la mano una caricia. Alma que siempre disconforme de ella, Como los vientos vaga, corre y gira; Alma que sangra y sin cesar delira Por ser el buque en marcha de la estrella. Alfonsina Storni beijos meu Eu... 
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Gozo I Linho dos ombros ao tacto já tecido Túnica branda cingida sobre as espáduas Os rins despidos no fato já subido: as tuas mãos abrindo a madrugada Linho dos seios na roca dos sentidos a seda lenta sedenta na garganta a lã da boca cardada no gemido e nos joelhos a sede que os abranda Linho das ancas bordado de torpor a boca espessa o fuso da garganta Gozo II
Desvia o mar a rota do calor e cede a areia ao peso desta rocha Que ao corpo grosso do sol do meu corpo abro-lhe baixo a fenda de uma porta e logo o ventre se curva e adormece e logo as mãos se fecham e encaminham e logo a boca rasga e entontece nos meus flancos a faca e a frescura daquilo que se abre e desfalece enquanto tece o espasmo o seu disfarce e uso do gozo a sua melhor parte Gozo III
Põe meu amor teu preceito teu pénis meu pão tão cedo de vestir e de enfeitar espasmos tomados por dentro e guarnecer o deitar daquilo que vou gemendo Meu amor por me habitares com jeito de teu invento ou com raiva de gritares quando te monto e me fendo Gozo IV
Que tenhas de mim o contorno incerto acertado nas linhas do teu corpo os dentes nos lóbulos e no pescoço os lábios a língua a cobrirem os ombros Gozo V
Vigilante a crueldade no meu ventre A fenda atenta e voraz que devora o que é dormente a febre que a boca empresta a vela que empurra o vento a vara que fende a carne a crueldade que entende o grito sobre o orgasmo que me prende e me desprende Gozo VI
São de bronze os palácios do teu sangue de cristal absorto encimesmado São de esperma os rubis que tens no corpo a crescerem-te no ventre ao acaso São de vento – são de vidro são de vinho os liquidos silencios dos teus olhos as rutilas esmeraldas que sózinhas ferem de verde aquilo que tu escolhes São cintilantes grutas que germinam na obscura teia dos teus lábios o hálito das mãos a língua – as veias São de cupulas crisálidas são de areia São de brandas catedrais que desnorteiam (São de cupulas crisálidas são de areia) na minha vulva o gosto dos teus espasmos Gozo VII
São as tuas nádegas na curva dos meus dedos as tuas pernas atentas e curvadas O cravo – o crivo sabor da madrugada no manso odor do mar das tuas espáduas E se soergo com as mãos as tuas coxas e acerto o corpo no calor das vagas logo me vergas e és tu então que tens os dedos agora em minha nádegas Gozo VIII
Em cada canal a sua veia o veio que entumesce no fundo da sua teia Em cada vento o seu peixe no tempo que a água tenha sedosa na sua sede viciosa em sua esteira Da seda o tacto e o suco dos lábios à sua beira como se fosse um beiral do corpo p'ra língua inteira ou o lugar para guardar o punhal que se queira Em cada punho o seu ócio um cinzel de lisura com a doçura do pranto da prata e bronze a secura O travesseiro não apoia as pernas já afastadas mas ajusta as ancas dadas Escalada que se empreende na pele das tuas nádegas Em cada corpo há o tempo no gozo da sua adaga Mas só no teu há o espasmo com que o teu pénis me alaga Gozo IX
Ondula mansamente a tua língua de saliva tirando toda a roupa... já breves vêm os dias dentro de noites já poucas. Que resta do nosso gozo se parares de me beijar? Oh meu amor... devagar... até que eu fique louca! Depois... não vejas o mar afogado em minha boca! Gozo X
São de alumínio os flancos e de feltro a língua de felpa ou seda a abertura incerta que cede breve a humidade esguia presa no quente do interior da pedra Ou musgo doce de haste sempre dura de onde pendem seus dois mansos frutos que a boca aflora e os dentes prendem a tatear-lhes o hálito e o suco Gozo XI Conduzes na saliva um candelabro aceso um chicote de gozo nas palavras E a seda do meu corpo já te cede neste odor de borco em que me abres Sedenta e sequiosa vou sabendo a demorar o tempo que se espraia ao longo dos flancos que vou tendo: as tuas pernas vezes teu ventre A tua língua vezes os teus dentes na pressa veloz com que me rasgas Gozo XII
São tuas as pálpebras dos meus dias tal como a laranja do lago estagnado é a lua do lago ao meio dia quando o sol dos ombros está rasgado São teus os cílios que as noites utilizam é tua a saliva dos meus braços é teu o cacto que no ventre incerto debruça levar os seus orgasmos Não tenho mais que te dizer das coisas que tudo o mais te faço eu deitada enquanto sentes que o teu corpo cresce por dentro do mundo na minha mão fechada Maria Teresa Horta * ...meu Eu...bjus Sua 
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Olvidame Tu Ivete Sangalo Todas nuestras tardes son Bajos estrellas escondidas Luces que mi corazón se pensaría... Desnudarme como soy Siendo así como la arena Que resbale en tu querer por donde pueda Darte para retenerte Recelar si no me miras Con tus ojos tu boca tu savia que es mía, mía Responde a mi nombre si te lo susurran Arranca de todo mi piel que es tan tuya Que arda mi cuerpo si no estas conmigo amor Olvídame tú que yo no puedo No voy a entender el amor sin ti Olvídame tú que yo no puedo Dejar de quererte Por mucho que intente no puedo Olvídame tú... Qué bonito cuando el sol Derramó sobre nosotros Esta luz que se apagó que se perdía Si tú quieres quiero yo, palpitar de otra manera Que nos lleve sin timón lo que nos queda Sentiremos tal vez frío si no existe poesía En tus ojos tu boca tu savia que es mía, mía Y el tiempo nos pasa casi inadvertido Golpea con fuerza lo tuyo y lo mío Qué pena ignorarlo y dejarlo perdido amor Olvídame tú que yo no puedo No voy a entender el amor sin ti Olvídame tú que yo no puedo Dejar de quererte Por mucho que lo intente no puedo Olvídame tú...
por LaLi
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A Aurora que me adivinha Lizete Abrahão
Nesse teu olhar de peregrino, Que te dá um jeito tão divino, Escondes o azul que me enleia, És meu oceano e eu, tua sereia. Amo-te assim e tanto e tudo Meu insaciável furacão, Com o mesmo amor mudo Que um poeta ama a paixão. Mar revolto ou férreo deserto, Salva-me teu corpo em alívio, Me perfuma teu odor aberto, Ora de enigma, ora de fascínio. Assim como queima o incenso, Tal é o desejo que me arde, És o deus do meu anseio intenso, Que me toma e doma sem alarde. Ah! Essa tortura... minha delícia... Que tão suave mas tão forte, Fazes renascer na tua carícia, Minh'alma tantas vezes à morte. Teus meandros amorosos... Tua pele, tuas mãos nervosas... Com movimentos langorosos, Compõem-me em notas maviosas. Muitas vezes me tens perdida, Na tua sanha misteriosa, São teus beijos... ou mordidas, Que me colhem tensa rosa. Adivinhas-me tua amante... Com risos, desse meu sem jeito, Mas pousas, logo, num instante, Lábios e mãos sobre meu peito. Serena, tal lua em céu bordado, Sob teus suspiros e gemidos, Meu grito em lume arrebatado, Ecoa em silêncios consumidos. Minha sede em ti se sacia, Minha alma em ti se revigora, Das minhas noites de agonia, Tu és a luz da minha aurora. ***
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pra nós...meu Mar La boca de tus ojos mordiendo mi deseo Te quiero bajo esta tenue luz que nos abraza, con aire impregnado de brisa y verso. Amo tu presencia inalterable lícita y sutil, conducida también de un modo lujurioso capaz de sucumbir mi resistencia.
Te quiero ahora y desde el principio en mi antes, en fatiga de horas desquiciadas, y tu mirada fue sosiego como desnudo ángel en el aire. Te quiero cuando me invitas y estremecida caigo respirando apenas en un resbalar tembloroso desde tu frente a tus pies salvaje y vehemente. Otras, como ciego tacto golpeas mis sentidos volviendo lluvia mi mirada, mi carne se hace maleable al querer hambriento de tus dedos, entro con mi canto subyugada en la embriaguez de nuestras voces. Entonces ya no hay nada sino el mundo que se levanta en el brillo de tus ojos, la boca de tus ojos que muerde mi deseo tus ojos desnudos en los ojos de mi alma. Después, siempre después, …sobran las palabras. Mentacalida ***
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Apaixonantes Sensações Arde em mim a sensação Dos minutos sem fim Como se tudo fosse inspiração Doce, com sabor a jasmim, Como se eu fosse alma e coração E tu pedaço de mim. Clamo a evidência perfeita Dos abraços ancorados Na submissão desfeita Pelo poder dos corpos suados Que em cada palavra eleita Oferecem poemas amados. Olho o infinito da escuridão Nesta noite de calmaria, E sonho com a tua mão Estendida na periferia Do meu latente coração Num gesto de sintonia. Por instantes, sinto o teu respirar Bem perto da liberdade Que a minha mente teima em traçar Com purpurina e vaidade Na esperança de ver chegar O momento da feliz verdade. E vejo-te, ao longe, a sorrir… Aproximas-te com lentos passos Regateando as flores por abrir Com gestos delicados e rasos Que fazem lembrar notas a cair Na pauta musical dos abraços. És tu, apaixonante, A vida do meu respirar; És tu, meu amante, Alma límpida por amar, Rosto marcante Que teima em ficar. Natália Bonito
***
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"...um olhar num livro que amas.Começa assim um dia belo e útil".
Bertold Brech

Sejam Benvindos(as)


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Un danzar reflejos
Es esta una noche mansa, mansa de estrellas y luna. ¿De donde viene esta paz que inunda mi alma? ¿De que cielo cuelgan mis alas?
El viento sopla en mi espalda con acordes de guitarra y las bandurrias circundan mi mirada. Mis voces nadan, emergen los suspiros sobre el agua y me pierdo, me confundo entre rayos dorados en espesura almidonada en trino de pájaros y en el mágico silencio del abrazo de la montaña.
Su reflejo me besa meciéndome en vaivén de aguas estallando mí pecho al acercar tus dientes y morder mi boca para saciar tú sed.
Y al anocher… tu sombra se desliza como un cometa inyectándome fulgores incandescentes alarga mis alas completa el otro espacio de sortilegios de pétalos rojos de fiesta fecunda y lasciva y en medio del sereno oleaje tu cuerpo y el mío dibujándose.
Mentacalida


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Música no play...
Sinceramente teu
c/ Joan Manuel Serrat e Maria Bethânia
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