Rompante
Se chegasses bem perto
me olhasses nos olhos,
sentirias o meu cheiro,
tocarias o meu corpo.
Se ao toque um arrepio,
ao sussurro uma entrega.
Se ao deslize uma desnuda,
aos beijos uma ativada.
Se na virada uma inversão,
na lambida uma sensação,
Se na idéia uma criação,
na molhada uma ereção.
Se viesses bem quente,
me tomasses nos braços,
sentirias o meu calor,
saberias do meu amor.
Beatrice Russo
O meu corpo maduro invoca
a agradável sensação da excitação
ao desejar o toque das suas mãos
nos meus seios...
e os seus lábios a suga-los
com a intensidade do prazer
Ao fechar os meus olhos te vejo
e te sinto percorrendo os meus caminhos
descobrindo pintas, manchas e pentelhos
me amando com calor intenso
poderoso no mergulho dos dedos
indo e vindo...
delicado no contorno das curvas
se abrindo...
O meu corpo maduro invoca
a ardente chama do amor
ao desejar o romper da penetração
suor, ritmo, cansaço...
repouso, descanso, aconchego...
no seu colo quente, macio, abrigo.
Beatrice Russohttp://beatricerusso.zip.net/index.html
Me explica porque a polpa das distâncias traz consigo lâminas com teu nome
gravado, para sempre que minha língua solta o pronuncia, sentir a dor dos cortes
que são mais afago que castigo. Me explica que poço é esse que escondes nos
olhos, para quando me demoro à espera da água pouca e seu belo canto, sentir o
abandono da queda entre o êxtase e o espanto. Me explica de que flores de
segredo são feitas tuas mãos ocas, que mesmo tão longe, perfumam meus cabelos
para que eles amanheçam sempre enredados entre teus dedos. Me explica que dor
tanta é essa que me carrega no colo, me beija as pálpebras, me põe ardores, para
depois enlutar o dia, negar o riso, tirar as falsas asas da louca, abrutalhar as
cores. Me explica se se morre de amores.
Escrito por Ticcia
Instalam-se em mim milhares de volts e eu sou a um só tempo de raios e veludos,
algo no entorno do profundo, algo do indizível em língua de gente. Meu cio se
completa e eu me acho repleta e premente de ardores e instantes, povoada de
imprecisão e voragem, numa ânsia que não admite latência, numa dor que é loucura
e sofreguidão. Imprimo meus dedos contra a carne e subjugo minhas mãos, guardo
meu tato para o contato com teu corpo, para o embate sobre teu peso. Refaço
plano, aperto passo, revejo estratégia, descarto trégua. Logo serei entrega e
serás multidão.
Escrito por Ticcia
Busco em mim o abrigo de mim mesma, tento, em vão, cobrir minhas pernas roxas de
frio com meus agasalhos rotos. Um inverno me sussurra nomes mortos e me estende
seus braços gelados num abraço de solidão e ausência, num destender de varais
cheios de roupas brancas molhadas que não me servem, não me cabem, não me
pertencem. Eu vou cegando os olhos neste céu imenso e límpido, vou gravando a
retina com manchas de luz e vazios, vou civilizando a dor, ensinando o medo a se
comportar, já que eu não me comporto, não sou de comportas, portas, saídas de
indigência, eu não me entendo animal doméstico.
Escrito por TicciaBlog maravilhoso da Ticcia...








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