Azul de tierra en tí

Parece mar, el cielo
donde me he recostado a soñarte?

Si vieras mi mirada,
como un ave, cazando horizontes y estrellas.

El universo es mío desde que tú te hiciste
techo de mariposas para mi corazón.

Es tan azul el aire cuando mueves tus alas,
que el vuelo nace eterno en repetida ola sin cansancio.

No sé si en ola o nube abrirme la ternura
para rodarme al sueño donde duermes.

Es tan callado el viento,
que he podido lograrte entre los ecos.

Soy toda claridad para estrecharte?

Te he visto con los ojos vivos
como los ojos abiertos de los bosques,
figurándome en risas y quebradas nadando hasta el océano.

Te he recogido en huellas de canciones marinas
donde una vez dejaste corazones de agua enamorados.

Te he sacado del tiempo?

¡Cómo te he levantado en un lirio de luz
que floreció mi mano al recordarte !

¿Por qué me corre el mar ?
Tú eres vivo universo contestándome?

Julia de Burgos

 

Alma desnuda

Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.

 

Alma que puede ser una amapola,
Que puede ser un lirio, una violeta,
Un peñasco, una selva y una ola.

 

Alma que como el viento vaga inquieta
Y ruge cuando está sobre los mares,
Y duerme dulcemente en una grieta.

 

Alma que adora sobre sus altares,
Dioses que no se bajan a cegarla;
Alma que no conoce valladares.

 

Alma que fuera fácil dominarla
Con sólo un corazón que se partiera
Para en su sangre cálida regarla.

 

Alma que cuando está en la primavera
Dice al invierno que demora: vuelve,
Caiga tu nieve sobre la pradera.

 

Alma que cuando nieva se disuelve
En tristezas, clamando por las rosas
con que la primavera nos envuelve.

 

Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas.

 

Alma que ha de morir de una fragancia
De un suspiro, de un verso en que se ruega,
Sin perder, a poderlo, su elegancia.

 

Alma que nada sabe y todo niega
Y negando lo bueno el bien propicia
Porque es negando como más se entrega.

 

Alma que suele haber como delicia
Palpar las almas, despreciar la huella,
Y sentir en la mano una caricia.

 

Alma que siempre disconforme de ella,
Como los vientos vaga, corre y gira;
Alma que sangra y sin cesar delira
Por ser el buque en marcha de la estrella.

 

Alfonsina Storni

                                                            

                                                                beijos meu Eu...

***

 

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Gozo I

Linho dos ombros
ao tacto
já tecido

Túnica branda
cingida sobre as
espáduas

Os rins despidos
no fato já subido:
as tuas mãos abrindo a madrugada

Linho dos seios
na roca dos sentidos
a seda lenta sedenta na garganta

a lã da boca
cardada
no gemido

e nos joelhos a sede
que os abranda

Linho das ancas
bordado
de torpor

a boca espessa
o fuso da garganta


Gozo II

Desvia o mar a rota
do calor
e cede a areia ao peso
desta rocha

Que ao corpo grosso
do sol
do meu corpo
abro-lhe baixo a fenda de uma porta

e logo o ventre se curva
e adormece

e logo as mãos se fecham
e encaminham

e logo a boca rasga
e entontece

nos meus flancos
a faca e a frescura
daquilo que se abre e desfalece
enquanto tece o espasmo o seu disfarce

e uso do gozo
a sua melhor parte


Gozo III

Põe meu amor
teu preceito

teu pénis
meu pão tão cedo
de vestir e de enfeitar
espasmos tomados por dentro

e guarnecer o deitar
daquilo que vou gemendo

Meu amor
por me habitares
com jeito de teu
invento

ou com raiva
de gritares
quando te monto e me fendo


Gozo IV

Que tenhas de mim
o contorno incerto
acertado nas linhas do
teu corpo

os dentes nos lóbulos e no pescoço
os lábios
a língua a cobrirem os ombros


Gozo V

Vigilante a crueldade
no meu ventre

A fenda atenta
e voraz
que devora o que é
dormente

a febre que a boca
empresta
a vela que empurra o vento

a vara que fende
a carne

a crueldade que entende
o grito sobre o orgasmo
que me prende e me desprende


Gozo VI

São de bronze
os palácios do teu sangue

de cristal absorto
encimesmado

São de esperma
os rubis que tens no corpo
a crescerem-te no ventre
ao acaso

São de vento – são de vidro
são de vinho
os liquidos silencios dos teus olhos

as rutilas esmeraldas que
sózinhas
ferem de verde aquilo que tu escolhes

São cintilantes grutas
que germinam
na obscura teia dos teus lábios

o hálito das mãos
a língua – as veias

São de cupulas crisálidas
são de areia

São de brandas catedrais
que desnorteiam

(São de cupulas crisálidas
são de areia)

na minha vulva
o gosto dos teus espasmos


Gozo VII

São as tuas nádegas
na curva dos meus dedos

as tuas pernas
atentas e curvadas

O cravo – o crivo
sabor da madrugada
no manso odor do mar das tuas
espáduas

E se soergo com as mãos
as tuas coxas
e acerto o corpo no calor
das vagas

logo me vergas

e és tu então
que tens os dedos
agora
em minha nádegas


Gozo VIII

Em cada canal
a sua veia

o veio que entumesce
no fundo da sua teia

Em cada vento
o seu peixe
no tempo que a água tenha

sedosa na sua sede
viciosa em sua esteira

Da seda
o tacto e o suco
dos lábios à sua beira

como se fosse um beiral
do corpo
p'ra língua inteira

ou o lugar para guardar
o punhal
que se queira

Em cada punho
o seu ócio

um cinzel
de lisura

com a doçura do pranto
da prata e bronze
a secura

O travesseiro não apoia
as pernas já afastadas
mas ajusta as ancas dadas

Escalada
que se empreende na pele das tuas nádegas

Em cada corpo há o tempo
no gozo da sua adaga

Mas só no teu há o espasmo
com que o teu pénis
me alaga


Gozo IX

Ondula mansamente a tua língua
de saliva tirando
toda a roupa...

já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.

Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?

Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!

Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!


Gozo X

São de alumínio
os flancos
e de feltro a língua

de felpa ou seda
a abertura incerta
que cede breve a humidade
esguia
presa no quente do interior
da pedra

Ou musgo doce
de haste sempre dura
de onde pendem seus dois mansos frutos
que a boca aflora e os dentes prendem
a tatear-lhes
o hálito e o suco

Gozo XI

Conduzes na saliva
um candelabro aceso

um chicote de gozo
nas palavras

E a seda do meu corpo
já te cede
neste odor de borco em que me abres

Sedenta e sequiosa
vou sabendo
a demorar o tempo que se espraia
ao longo dos flancos que vou tendo:

as tuas pernas
vezes teu ventre

A tua língua
vezes os teus dentes

na pressa veloz com que me rasgas


Gozo XII

São tuas as pálpebras
dos meus dias

tal como a laranja do lago
estagnado
é a lua do lago ao meio dia
quando o sol dos ombros está
rasgado

São teus os cílios
que as noites utilizam
é tua a saliva dos meus
braços

é teu o cacto que no ventre
incerto
debruça levar os seus
orgasmos

Não tenho mais que te dizer
das coisas
que tudo o mais te faço eu
deitada

enquanto sentes que o teu corpo
cresce
por dentro do mundo
na minha mão fechada

   Maria Teresa Horta

*

...meu Eu...bjus

Sua

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Olvidame Tu

               Ivete Sangalo

Todas nuestras tardes son
Bajos estrellas escondidas
Luces que mi corazón se pensaría...
Desnudarme como soy
Siendo así como la arena
Que resbale en tu querer por donde pueda

Darte para retenerte
Recelar si no me miras
Con tus ojos tu boca tu savia que es mía, mía

Responde a mi nombre si te lo susurran
Arranca de todo mi piel que es tan tuya
Que arda mi cuerpo si no estas conmigo amor

Olvídame tú que yo no puedo
No voy a entender el amor sin ti
Olvídame tú que yo no puedo
Dejar de quererte
Por mucho que intente no puedo
Olvídame tú...

Qué bonito cuando el sol
Derramó sobre nosotros
Esta luz que se apagó que se perdía
Si tú quieres quiero yo, palpitar de otra manera
Que nos lleve sin timón lo que nos queda

Sentiremos tal vez frío si no existe poesía
En tus ojos tu boca tu savia que es mía, mía

Y el tiempo nos pasa casi inadvertido
Golpea con fuerza lo tuyo y lo mío
Qué pena ignorarlo y dejarlo perdido amor

Olvídame tú que yo no puedo
No voy a entender el amor sin ti
Olvídame tú que yo no puedo
Dejar de quererte
Por mucho que lo intente no puedo
Olvídame tú...



por LaLi

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A Aurora que me adivinha

                  Lizete Abrahão

 

Nesse teu olhar de peregrino,
Que te dá um jeito tão divino,
Escondes o azul que me enleia,
És meu oceano e eu, tua sereia.

 

Amo-te assim e tanto e tudo
Meu insaciável furacão,
Com o mesmo amor mudo
Que um poeta ama a paixão.

 

Mar revolto ou férreo deserto,
Salva-me teu corpo em alívio,
Me perfuma teu odor aberto,
Ora de enigma, ora de fascínio.

 

Assim como queima o incenso,
Tal é o desejo que me arde,
És o deus do meu anseio intenso,
Que me toma e doma sem alarde.

 

Ah! Essa tortura... minha delícia...
Que tão suave mas tão forte,
Fazes renascer na tua carícia,
Minh'alma tantas vezes à morte.

 

Teus meandros amorosos...
Tua pele, tuas mãos nervosas...
Com movimentos langorosos,
Compõem-me em notas maviosas.

 

Muitas vezes me tens perdida,
Na tua sanha misteriosa,
São teus beijos... ou mordidas,
Que me colhem tensa rosa.

 

Adivinhas-me tua amante...
Com risos, desse meu sem jeito,
Mas pousas, logo, num instante,
Lábios e mãos sobre meu peito.

 

Serena, tal lua em céu bordado,
Sob teus suspiros e gemidos,
Meu grito em lume arrebatado,
Ecoa em silêncios consumidos.

 

Minha sede em ti se sacia,
Minha alma em ti se revigora,
Das minhas noites de agonia,
Tu és a luz da minha aurora.

  

***

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                                                    pra nós...meu Mar

La boca de tus ojos mordiendo mi deseo
 


Te quiero
bajo esta tenue luz
que nos abraza,
con aire impregnado de brisa y verso.
Amo tu presencia inalterable
lícita y sutil
,
conducida también
de un modo lujurioso
capaz de sucumbir mi resistencia.

 

Te quiero
ahora y desde el principio
en mi antes,
en fatiga de horas desquiciadas,
y tu mirada fue sosiego
como desnudo ángel en el aire.

 

Te quiero
cuando me invitas
y estremecida caigo
respirando apenas
en un resbalar
tembloroso
desde tu frente a tus pies
salvaje y vehemente.
Otras, como ciego tacto
golpeas
mis sentidos
volviendo lluvia mi mirada,
mi carne se hace maleable
al querer hambriento de tus dedos,
entro con mi canto
subyugada
en la embriaguez de nuestras voces.

 

Entonces ya no hay nada
sino el mundo que se levanta
en el brillo de tus ojos,
la boca de tus ojos que muerde
mi deseo
tus ojos desnudos en los ojos
de mi alma.

Después, siempre después,
…sobran las palabras.
 

 Mentacalida

                                

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Apaixonantes Sensações

 

Arde em mim a sensação
Dos minutos sem fim
Como se tudo fosse inspiração
Doce, com sabor a jasmim,
Como se eu fosse alma e coração
E tu pedaço de mim.

 

Clamo a evidência perfeita
Dos abraços ancorados
Na submissão desfeita
Pelo poder dos corpos suados
Que em cada palavra eleita
Oferecem poemas amados.

 

Olho o infinito da escuridão
Nesta noite de calmaria,
E sonho com a tua mão
Estendida na periferia
Do meu latente coração
Num gesto de sintonia.

 

Por instantes, sinto o teu respirar
Bem perto da liberdade
Que a minha mente teima em traçar
Com purpurina e vaidade
Na esperança de ver chegar
O momento da feliz verdade.

 

E vejo-te, ao longe, a sorrir…
Aproximas-te com lentos passos
Regateando as flores por abrir
Com gestos delicados e rasos
Que fazem lembrar notas a cair
Na pauta musical dos abraços.

 

És tu, apaixonante,
A vida do meu respirar;
És tu, meu amante,
Alma límpida por amar,
Rosto marcante
Que teima em ficar.


Natália Bonito

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Beijai-me agora, e muito, e outra vez mais,
Dai-me um de vossos beijos saborosos
E depois, dai-me um desses amorosos
E eu pagarei com brasa os que me dais.

Virei vos socorrer, se vos cansais,
Com mais dez beijos longos, langorosos,
E assim, trocando afagos tão gostosos,
Gozemos um do outro, em calma e paz.

Vida em dobro teremos, sendo assim;
Eu viva em vós e vós vivendo em mim.
Deixai que vague, pois, meu pensamento:

Não dá prazer viver bem-comportada;
Bem mais feliz me sinto, e contentada,
Quando cometo algum atrevimento.

com ardor, com sinceridade, se revela a Mulher...

Louise Labbé-1524-1566

Eu...Mar de Terra

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O beijo é o mais próximo que estive das estrelas quando os teus lábios me tocaram.


Quente


Intenso


Húmido


Forte


Doce


Suave


Afável


Deleitoso


Assim é o beijo, o teu beijo…

 

(Mad)


Minha laranja amarga e doce
meu poema

feito de gomos de saudade

minha pena

pesada e leve

secreta e pura

minha passagem para o breve breve

instante da loucura.

Minha ousadia

meu galope

minha rédea

meu potro doido

minha chama

minha réstia

de luz intensa de voz aberta

minha denúncia do que pensado que sente a gente certa.

Em ti respiro

em ti eu provo

por ti consigo

esta força que de novo

em ti persigo em ti percorro

cavalo à solta

pela margem do teu corpo.

Minha alegria

minha amargura

minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo

canção castigo

amêndoa travo corpo alma amante amigo

por isso canto

por isso digo

alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio

minha aventura

minha coragem de correr contra a ternura.

*

(José Carlos Ary dos Santos)

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por LaLi

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"Todos os beijos

São diferentes

Os que guardo pra você

Têm gosto de domingo

De prenuncio de primavera

De boa saudade

De gosto de descanso

De maturidade

Intensos

Como um virgem campo de trigo

E como o mar

no seu azul de perenidade

Meus beijos

De domingo

São só para você

Como o céu da minha terra

Nos dias mansos de claridade

Meus beijos de domingo

São o meu presente

De amor para você."

(Maria Luiza Kuhn)



por LaLi

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"Dualidade"

 

Doce sol-mar quente e terno
Encobre seus fios breves
Entre palavras de fogo

 

Olvidos de quem não teme
Não pretende e nem segue
Em cada cantar o brilho
Das folhas os voos silentes
Na dança em que renasço

 

O sol em letras se sabe
Evaporando o sorriso
Em éter forma o nada
O doce abrigo a estrada
Que corre sempre consigo

 

Doce amor que bem quisera
Saber-me unida na espera
De cada palavra sua
Que em delongas se atrasa
E se perde pela rua
Do mar qu’em letras se abre

 

Cada quimera é um laço
Dois pontos um só traço
No mar-sol serena me quedo
No beijo do seu abraço
Amor tão longo tão breve

 

 Amita



por LaLi

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"...um olhar num livro que amas.Começa assim um dia belo e útil".

Bertold Brech

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Un danzar reflejos

Es esta una noche mansa,
mansa de estrellas y luna.
¿De donde viene esta paz que inunda mi alma?
¿De que cielo cuelgan mis alas?

El viento sopla en mi espalda
con acordes de guitarra
y las bandurrias circundan mi mirada.
Mis voces nadan,
emergen los suspiros sobre el agua
y me pierdo, me confundo
entre rayos dorados
en espesura almidonada
en trino de pájaros
y en el mágico silencio del
abrazo de la montaña.

Su reflejo me besa
meciéndome
en vaivén de aguas
estallando mí pecho
al acercar tus dientes
y morder mi boca
para saciar tú sed.

Y al anocher…
tu sombra se desliza
como un cometa
inyectándome
fulgores incandescentes
alarga mis alas
completa el otro espacio
de sortilegios
de pétalos rojos
de fiesta fecunda y lasciva
y en medio del sereno oleaje
tu cuerpo y el mío
dibujándose.

Mentacalida




 



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Música no play...

Eres todo en mi

c/Ana Gabriel

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